segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Artur Rimbaud


FLORES

De um degrau de ouro,
— entre cordões de seda,
gazes grises, veludos verdes
e discos de cristal que
escurecem
como bronze sob o sol,
— vejo a digital se
abrir num tapete de filigranas de prata,
de olhos e cabelos.
Peças de ouro amarelo
semeadas sobre a ágata,
pilares de mogno sustentando
uma cúpula de esmeraldas,
buquês de branco cetim e
hastes sutis de rubis
rodeiam a rosa d’água.
Como um deus de enormes
olhos azuis e jeitos de neve,
o céu e o mar atraem
aos terraços de mármore a
turba de rosas jovens e fortes.

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